Fable

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I. Fable, nom collectif qui renferme l’histoire théologique, fabuleuse, poétique, et, pour le dire en un mot, toutes les fables de la théologie grecque et romaine. Banier divise la fable, prise collectivement, en fables historiques, philosophiques, allégoriques, morales, mixtes, et fables inventées à plaisir.

− 2. Historiques. D’anciennes histoires mêlées avec plusieurs fictions ; telles sont celles qui parlent des principaux dieux et des héros. Jupiter, Apollon, Bacchus, Hercule, Jason, Achille dont l’histoire est prise dans la vérité. − 3. Philosophiques. Celles que les poètes ont inventées comme des paraboles propres à envelopper les mystères de la philosophie ; comme quand on dit que l’Océan est le père des fleuves, que la Lune épousa l’Air, et devint mère de la Rosée. − 4. Allégoriques. Espèce de parabole qui cachait un sens mystique, comme celle qui est dans Platon, de Porus et de Pénie, ou des richesses et de la pauvreté, d’où naquit l’Amour. − 5. Morales. Inventées pour débiter quelques préceptes propres à régler les mœurs, comme sont les apologues, etc. – 6. Mixtes. C’est-à-dire, mêlées d’allégorie et de morale, et qui n’ont rien d’historique, ou qui, avec un fond historique, font cependant des allusions manifestes ou à la morale ou à la physique ; telles sont celle de Leucothoé changé en arbre qui porte l’encens, et celle de Clytie en tournesol. – 7. Inventées à plaisir. Celles-ci n’ont d’autre but que d’amuser ; telle est la fable de Psyché, et celles qu’on nommait Milésiennes ou Sybaritides.

In: Abrégé de la mythologie universelle, ou dictionnaire de la fable

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Para servir de prefácio

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Retrato de António Botto por Abel Manta
«Naquele esmorecer do fim do dia, bateu-me à porta um jovem senhor que eu convidara para a minha casa. A sua cortesia era, de facto, a mais gentil; o seu sorriso era o mais encantador; e a sua amabilidade espontânea prendia de tão fina e correcta… Fiquei a pensar se aquela educação subtilmente esmerada seria, em verdade, tão sólida como parecia. Apesar das minhas dúvidas, concebi um certo plano para ver até onde chegava aquela delicadeza. Depois de o conduzir aos aposentos que lhe destinara, pedi-lhe que quando quisesse viesse ao meu encontro para falarmos um pouco sobre o que mais lhe agradasse. No extenso corredor que ligava o seu quarto à pequena sala para onde me dirigi, a claridade fugira porque a noite descia, e nesse corredor algumas cadeiras em desordem não tinham sido arrumadas pelo meu velho criado Manuel. O simpático e jovem convidado, talvez na sua urgência de acudir a satisfazer, sem demora, o meu pedido de conversa, tropeçou numa cadeira e disse uma palavra feia. Logo a seguir, um pouco mais adiante, tropeçou numa segunda cadeira, e, dando-lhe um pontapé, repetiu a mesma palavra. E tinha perdido o domínio quando me vê no extremo do corredor, sorridente, a fumar um cigarro. Atirei-lhe com este saudar: Ó tu, que não eras tu!: muito me agradaram, crê, as tuas bonitas maneiras. Somente, elas acabam nas pessoas antes de chegarem às coisas. Imagina, caro amigo, o que vão dizer as minhas cadeiras da tua excelsa delicadeza! E a conversa decorreu fria, cortada por silêncios largos. Por fim, despediu-se, e foi-se embora, enquanto eu ficava a dizer: o homem perfeitamente educado, em qualquer momento ou circunstância, mostra a sua educação que, até mesmo sem ele dar por isso, estende às coisas o respeito que mantém pelas pessoas com quem trata. O homem fino levanta um objecto pesado com suavidade e um objecto leve com aprumo. E nessa harmoniosa medida de movimentos manifesta, nitidamente, o seu grau de civilizado.»

Os contos de António Botto.

Carro Caído

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«O negro vinha da Aldeia Velha, servindo de carreiro. O carro tinha muito sebo com carvão nas rodas e chiava como frigideira. Aquilo não se acaba nunca.
Sua Incelência já reparou os ouvidos da gente quando está com as maleitas? Pois é tal e qual.
O carreiro era meu charapim: acudia pelo nome de João, como eu.
Deitou-se nas tábuas, enquanto os bois andavam para diante, com as archatas marejando suor que nem macacheira encroada.
Levavam um sino para a capela de Estremoz. Na vila era povo como abelha, esperando o brônzeo para ser batizado logo.
João de vez em quando acordava e catucava a boiada com a vara de ferrão:
– Eh, Guabiraba! eh, Rompe-Ferro! eh, Manezinho!
Era lua cheia.
Sua Incelência já viu uma moeda de ouro dentro de uma bacia da Flandres? Assim estava a lua lá em cima.
(…)»

É uma das lendas mais antigas e conhecidas no litoral do Estado (de Minas). Denomina mesmo um recanto da lagoa de Estremoz, município do Ceará Mirim, numa curva onde as águas são escuras pela própria profundeza, no fundo dum aclive. E de origem portuguesa.

Em Minas Gerais, no folclore do S. Francisco, conta-se lenda semelhante, o carro de Maria da Cruz, mulher rica que obrigava seus escravos ao trabalho nos dias santos e domingos. Num desses dias, um carro de bois caiu no rio, com carreiro e tudo, e continua cantando, o homem tangendo as juntas, no fundo da água corrente.

Um poeta norte rio-grandense, António Soares de Araújo, fixou a lenda do carro caído com nitidez e fidelidade:

Conta uma antiga lenda: Certo dia,
Por um pobre carreiro transportado,
Ia num carro o sino encomendado
Para a matriz da nova freguesia.

E o boi do carro, a caminhar sofria
Uma sede cruel… Volvendo a um lado,
Vê a lagoa, e avança… Fatigado,
Sobre o carro o carreiro adormecia.

Num canto, o boi penetra… Repentino,
Tomba o carro no abismo traiçoeiro,
Tudo arrastando no fatal destino!

E, desde então, à noite, o caminheiro
Ouve, ao passar ali, dobres de sino,
E uns saudosos gemidos do carreiro…

Lendas Brasileiras
Luís da Câmara Cascudo

L’étang de feu | O tanque de fogo

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«Il y avait, jadis, tout au fond de l’immense Russie, un village où vivait une femme dont tout le monde avait peur. Elle était aussi méchante et aussi laide qu’elle était riche, ce qui n’est pas peu dire. En effet, elle possédait à elle seule plus de la moitié de terres du village. Elle y
faisait travailler de pauvres journaliers qu’elle payait fort mal et renvoyait sans scrupules dès qu’ils tombaient malades. Elle ne se souciait pas de savoir s’ils retrouveraient un emploi, s’ils parviendraient à nourrir leurs enfants et à leur donner un toit. Du moment qu’ils n’étaient plus en mesure de la servir, elle les chassait. Jamais personne ne l’avait vue donner quoi que ce fût. Aussi, dans son village, même les gens les plus charitables la vouaient aux flammes
de l’enfer, disant qu’elle finirait bien pour payer dans l’autre monde tout le mal qu’elle avait fait dans celui-ci.»
«Na Rússia profunda existia outrora uma aldeia onde vivia uma mulher a quem todos temiam. A sua fealdade e maleficência iam de par com a sua riqueza, o que não é coisa pouca. Com efeito, mais de metade das terras da aldeia estavam em seu poder. Essas terras eram lavradas pelos pobres jornaleiros, a quem pagava miseravelmente e que despedia sem o menor escrúpulo caso ficassem doentes. Tanto lhe fazia que não arranjassem depois um emprego, ou que não conseguissem sustentar os filhos. A partir do momento em que deixavam de ter serventia, mandava-os embora. Nunca ninguém a viu dar nada de seu. A tal ponto que até as pessoas mais caridosas da aldeia faziam votos para que ardesse nas chamas do inferno, dizendo que acabaria por pagar no outro mundo todo o mal que causara neste.»

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F. Xavier de Novaes

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Faustino_Xavier_de_Novaes

PRETENSÕES

«(…)
E, também, erro seria
Não subir ao céu rotundo,
Quem, no fogo da poesia,
Teve o inferno neste mundo.
– Inferno de desalentos,
De torturas incessantes,
De fartura de tormentos,
De fome de consoantes,
De mordeduras nas costas,
De incenso podre nas ventas,
De alvitadoras propostas,
De muitas coisas nojentas,
De paixões mal empregadas,
De atribuídas asneiras,
De ilusões aniquiladas,
De… cotão nas algibeiras.»

Faustino Xavier de Novaes

Myhologie | Mitologia

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«La fonction première d’une mythologie, mythes et rituels mythiques, chants sacrés et danses cérémonielles, est d’éveiller en chacun le sens du respect, le goût de l’étonnement et le désir à participer à l’insondable mystère de l’être.»
«A principal função duma mitologia, mitos e rituais míticos, cânticos e danças sagradas, é despertar em cada um de nós o sentido do respeito, a sede de espanto e o querer participar desse insondável mistério do ser.»
 .
J. Campbell

Catulle Mendès

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«Reste. N’allume pas la lampe…

Reste. N’allume pas la lampe. Que nos yeux
S’emplissent pour longtemps de ténèbres, et laisse
Tes bruns cheveux verser la pesante mollesse
De leurs ondes sur nos baisers silencieux.
Nous sommes las autant l’un que l’autre. Les cieux
Pleins de soleil nous ont trompés. Le jour nous blesse.
Voluptueusement berçons notre faiblesse
Dans l’océan du soir morne et délicieux.
Lente extase, houleux sommeil exempt de songe,
Le flux funèbre roule et déroule et prolonge
Tes cheveux où mon front se pâme enseveli…
Ô calme soir, qui hais la vie et lui résistes,
Quel long fleuve de paix léthargique et d’oubli
Coule dans les cheveux profonds des brumes tristes.»

«Fica. Não acendas a lâmpada…
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Fica. Não acendas a lâmpada. Que os nossos olhos
Se encham de trevas demoradamente, e deixa
Os teus negros cabelos verterem a pesada moleza
De suas ondas sobre os nossos beijos silenciosos.
Estamos ambos cansados, tu e eu. Iludidos
Pelos céus inundados de Sol. Fere-nos o dia.
Embalemos com volúpia a nossa fraqueza
No oceano do entardecer morno e delicioso.
Lento êxtase, sono agitado isento de sonho,
O fluxo fúnebre corre e decorre e prolonga
Os teus cabelos, onde jaz minha fronte pasmada…
Ó tarde serena , que odeias a vida e lhe resistes,
Que longo rio de paz letárgica e de esquecimento
Desliza nos cabelos profundos das brumas tristes.»

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