Le paradoxe de Zénon| O paradoxo de Zenão

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«Les êtres sont une pluralité. Zénon démontre rigoureusement que le continu (c’est à dire le divisible à l’infini) ne peut être conçu comme une somme d’éléments indivisibles, suivant le préjugé vulgaire adopté par les pythogariens car, si ces éléments n’ont aucune grandeur, leur somme ne peut en avoir, s’ils ont au contraire une grandeur, comme leur nombre est infini, leur somme serait infinie.»
«Os seres são uma pluralidade. Zenão demonstra com rigor que o contínuo (isto é, o divisível até o infinito) não pode ser concebido como uma soma de elementos indivisíveis, segundo a opinião corrente aceite pelos pitagóricos, na medida em que se os elementos não possuem grandeza, a soma deles também não a pode ter, se, ao invés, não possuem nenhuma grandeza, sendo infinitos, a soma deles seria infinita.»

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Paul Tannery, «Pour l’histoire de la science Hellène de Thales à Empédocle».

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ΞΕΝΟΦΩΝ II

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«Xénophon était toujours prêt à sacrifier, dit Diodore. En effet, pendant la période de sa vie où nous pouvons le suivre presque jour par jour, de 401 à 399, le nombre de victimes qu’il immole est incalculable. Au port de Galpé, Xénophon offre trois sacrifices de suite pour savoir si l’on peut partir, les signes sont défavorables. On sacrifie ensuite trois autres fois pour savoir si l’on peut chercher des vivres, les dieux s’y opposent. Xénophon expert, dit Diodore, à découvrir les signes dans les entrailles des victimes, voulait s’établir dans le pays. Ne fait-il par parler ici les dieux comme il veut ? On peut avoir tous les soupçons.»
« Xenofonte estava sempre pronto a sacrificar, diz Diodoro. Com efeito, durante o período da sua vida em que o conseguimos seguir quase dia a dia, de 401 à 399, o número de vítimas imoladas é incalculável. No porto de Gibraltar, Xenofonte oferece três sacrifícios de seguida para saber se podem partir, os sinais são desfavoráveis. Sacrifica mais três vezes para saber se podem ir buscar víveres mas os deuses opõem-se. Xenofonte, perito, no entender Diodoro, em descobrir os sinais nas entranhas das vítimas, queria estabelecer-se em terra. Não faz aqui falar os deuses como lhe apraz? Estamos em crer que sim»

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Paul Tannery, «Pour l’histoire de la science Hellène de Thales à Empédocle».

ΞΕΝΟΦΩΝ I

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«Et ils arrivent sur le mont le cinquième jour : il s’appelait Théchès. A peine les premiers arrivés en eurent-ils atteint le sommet, qu’un grand cri s’éleva. A ce bruit Xénophon et ceux de l’arrière-garde s’imaginèrent que l’ennemi les attaquait aussi en tête, car ils étaient suivis en queue par les gens du pays qu’ils avaient brûlé ; ils en avaient même tué, capturé plusieurs dans une embuscade; ils avaient pris aussi des boucliers, une vingtaine, couverts de cuir de boeuf non tanné, qui avait encore son poil.
Comme les cris grandissaient à mesure qu’on approchait, que les gens qui ne cessaient d’arriver se précipitaient en hâte vers ceux qui ne cessaient de crier, el que la clameur devenait plus retentissante à mesure que grandissait leur nombre, Xénophon jugea qu’il se passait quelque chose qui n’était pas ordinaire; il saute sur son cheval, prend avec lui Lykios et ses cavaliers, s’élance au secours. Et voilà que bientôt ils entendent les soldats qui criaient : ” La mer ! La mer ! ” Le mot volait de bouche en bouche. Tous prennent alors leur élan, même ceux de l’arrière-garde; les attelages couraient, et aussi les chevaux. Quand tout le monde fut arrivé sur le sommet, alors ils s’embrassaient les uns les autres, ils embrassaient aussi les stratèges et les lochages, en pleurant. Et tout à coup, sans qu’on sût qui en avait donné l’ordre, les soldats apportent des pierres et dresse un grand tertre. Ils y accumulent en tas des peaux de boeuf non tannées, des bâtons et les boucliers d’osier qu’ils avaient capturés. Le guide lui-même mettait les boucliers en morceaux et invitait les autres à faire autant. Ensuite les Grecs renvoient ce guide, après lui avoir donné sur la masse commune un cheval, une coupe d’argent, un vêtement perse et dix dariques. Ce qu’il demandait surtout aux soldats, c’étaient leus anneaux et il en reçu d’eux un grand nombre. Il leur montra un village pour y camper et la route qui les mènerait chez les Macrons, puis le soir venu il s’en alla et disparut pendant la nuit.»
«Ao quinto dia chegaram ao monte santo denominado Teches. Os primeiros que subiram ao cimo romperam em grande clamor. Ao ouvi-los, Xenofonte, que estava à retaguarda, supôs que novos inimigos investissem com a testa da coluna. Traziam à perna, com efeito, os habitantes a que tinham incendiado as searas. Já armando-lhes emboscada, as forças da retaguarda haviam matado uns, aprisionado outros, tomando-lhes uns vinte escudos de verga, recobertos de coiro de vaca com o pêlo para fora.
Os gritos aumentavam de intensidade à medida que mais soldados chegavam ao pino do monte. E, chamados por aqueles, outros deitavam para lá a correr, em bandos, singularmente, e mais a assuada recrudesceu. Xenofonte teve de admitir que alguma coisa de extraordinário se passava; montou a cavalo e, fazendo sinal a Lício, lançou-se, seguido do seu esquadrão de ginetes, oiteiro acima, à rédea solta. Não tardou que percebesse as vozes: o mar! o mar! ao passo que os soldados se abraçavam uns aos outros, ébrios de alegria.  Então o resto do exército, infantaria, cavaleiros, trem, deitou a correr em peso para o pino do monte. E à vista do mar sem fim, foi um delírio. Os soldados pulavam, cantavam, punham-se a chorar como crianças. Beijavam os capitães e oficiais, e a exultação não tinha limites. De repente, sem que ninguém desse ordem, cada qual correu a buscar pedras; com elas elevaram um montículo, sobre que depuseram, em guisa de oferenda aos Deuses, muitos coiros de vaca ainda por tanar, bastões e escudos de verga conquistados ao inimigo. O guia, à medida que os gregos ajuntavam estes troféus, ia-os fazendo em bocados e exortava a todos a fazerem o mesmo, para que não tivessem mais préstimo. Ofereceram a este homem, do monte comum, um cavalo, uma taça de prata, uma roupa à persa e dez dáricos. O que mais lhe agradou foram anéis, e muitos soldados deram-lhe os que traziam nos dedos. Ensinou, ainda, aos gregos uma aldeia em que podiam acampar e o caminho que conduzia à terra dos Macrões, e, quando baixou a noite, fez os seus adeuses e despediu. »

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Xenofonte, A retirada dos dez mil, (trad. de Aquilino Ribeiro).

Le Cosmos dans l’Égypte ancienne|O Cosmos no antigo Egipto

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«Au commencement était le Nou, masse liquide primordiale dans laquelle flottaient confondus formes et choses. Lorsque le soleil commença à briller, la terre fut aplanie et les eaux séparées en deux masses distinctes. L’une donna naissance aux fleuves et à l’océan, l’autre, suspendue dans les airs, forma la voûte du ciel, les eaux dans haut, sur lesquelles les astres et les dieux se mirent à flotter. Debout, dans la cabine de sa barque sacrée, la bonne barque des millions d’années, le soleil glisse lentement, guidé et suivi par une armée de dieux secondaires, les Akhimou-Ordou (planètes) et les Akhimou-Sekou (fixes).»
«No princípio era o Nou, massa líquida primordial onde flutuavam indistintamente formas e coisas. Quando o sol principiou a brilhar, a terra foi aplanada e as águas separadas em duas massas distintas. Uma deu origem aos rios e ao oceano, a outra, suspensa nos ares, deu origem à abóbada celeste, as águas de cima, nas quais astros e deuses se puseram a flutuar. Erguido na cabine de sua barca sagrada, essa boa barca com milhares de anos, o sol desliza lentamente, conduzido e acompanhado por um cortejo de deuses secundários, os Akhimou-Ordou (planetas) e os Akhimou-Sekou (estrelas).»

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Maspero, Histoire ancienne des peuples de l’orient.

Demogorgon

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«[Demogorgon] era, dizem os antigos, um velho que morava nas entranhas da Terra, assim dão-lhe um semblante pálido, um corpo cheio de enxovedo, lodo, e limo. Como estivesse enjoado de viver em tão triste morada fez uma pequena bola na qual se assentou, e remontando-se aos ares pôs ao redor da Terra esta abóbada azul, que nós outros chamamos céu. Depois pegou numa pouca de lama combustível e inflamada dos montes Acroceraunios e atirou com ela para o ar, donde se originou o sol: casou este astro com a Terra, e desta união nasceu tudo quanto constitui a admirável organização do universo.

Eis desenvolvido, e posto em ordem, o Caos. Esta mistura de elementos contrários se acha aqui personificada. Atormentado com atrozes dores revolve-se em seu antro o Caos; rasga-o Demogorgon, que é o que dele sai? A discórdia [litígio], a qual vem assentar na Terra morada. Demogorgon não devia lisonjear-se muito com este primeiro parto seu, que de certo não era mui vantajoso para a espécie humana. Tirou depois mais do ventre do Caos o deus Pã, as três Parcas, etc.»

A Mythologia da mocidade, ou, História dos deuses, semideuses e divindades alegóricas da fábula.

 

Variações de uma fábula 3/3

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(O quadro principal da história desaparece, o elemento secundário ganha força e a lengalenga autonomiza-se)

A formiga e a neve

Uma vez uma formiga, que andava pelos campos, ficou com as perninhas presas na neve.− Ó neve valente que meus pés prende! – exclamou a formiga, e a neve respondeu:
− Sou valente mas o sol me derrete.
A formiga voltou-se para o sol:
− Ó sol valente que derrete a neve que meus pés prende! – e o sol respondeu:
− Sou valente mas a nuvem me esconde.
A formiga voltou-se para a nuvem:
− Ó nuvem valente que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! −  e a nuvem respondeu:
− Sou valente mas o vento me desmancha.
A formiga voltou-se para o vento:
− Ó vento valente que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! – e o vento respondeu:
− Sou valente mas a parede me para.
A formiga voltou-se para a parede:
− Ó parede valente que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! −  e a parede respondeu:
− Sou valente mas o rato me fura.
A formiga voltou-se para o rato:
− Ó rato valente que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! – e o rato respondeu:
− Sou valente mas o gato me come.
A formiga voltou-se para o gato:
− Ó gato valente que come o rato que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! – e o gato respondeu:
− Sou valente mas o cachorro me pega.
A formiga voltou-se para o cachorro:
− Ó cachorro valente que pega o gato que come o rato que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! −  e o cachorro respondeu:
− Sou valente mas a onça me devora.
A formiga voltou-se para a onça:
− Ó onça valente que devora o cachorro que pega o gato que come o rato que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! −  e a onça respondeu:
− Sou valente mas o homem me caça.
A formiga voltou-se para o homem:
Ó homem valente que caça a onça que devora o cachorro que pega o gato que come o rato que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende! – e o homem respondeu:
− Sou valente mas Deus pode comigo.
A formiga voltou-se para Deus e disse:
− Ó Deus valente que pode com o homem que caça a onça que devora o cachorro que pega o gato que come o rato que fura a parede que para o vento que desmancha a nuvem que esconde o sol que derrete a neve que meus pés prende!
Deus respondeu:
− Formiguinha, acaba com essa história e vai furtar.
É por isso que a formiga vive sempre na maior atividade, furtando, furtando.

In: Histórias de Tia Nastácia de Monteiro Lobato

La Souris métamorphosée en fille métamorphosée… (2/3)

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«La souris métamorphosée en fille
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Une Souris tomba du bec d’un Chat-Huant:
Je ne l’eusse pas ramassée ;
Mais un Bramin le fit ; je le crois aisément:
Chaque pays a sa pensée.
La Souris était fort froissée :
De cette sorte de prochain
Nous nous soucions peu : mais le peuple bramin
Le traite en frère ; ils ont en tête
Que notre âme au sortir d’un Roi,
Entre dans un ciron, ou dans telle autre bête
Qu’il plaît au Sort. C’est là l’un des points de leur loi.
Pythagore chez eux a puisé ce mystère.
Sur un tel fondement le Bramin crut bien faire
De prier un Sorcier qu’il logeât la Souris
Dans un corps qu’elle eût eu pour hôte au temps jadis.
Le sorcier en fit une fille
De l’âge de quinze ans, et telle, et si gentille,
Que le fils de Priam pour elle aurait tenté
Plus encor qu’il ne fit pour la grecque beauté.
Le Bramin fut surpris de chose si nouvelle.
Il dit à cet objet si doux :
Vous n’avez qu’à choisir ; car chacun est jaloux
De l’honneur d’être votre époux.
– En ce cas je donne, dit-elle,
Ma voix au plus puissant de tous.
– Soleil, s’écria lors le Bramin à genoux,
C’est toi qui seras notre gendre.
– Non, dit-il, ce nuage épais
Est plus puissant que moi, puisqu’il cache mes traits ;
Je vous conseille de le prendre.
– Et bien, dit le Bramin au nuage volant,
Es-tu né pour ma fille ? – Hélas non ; car le vent
Me chasse à son plaisir de contrée en contrée ;
Je n’entreprendrai point sur les droits de Borée.
Le Bramin fâché s’écria :
O vent donc, puisque vent y a,
Viens dans les bras de notre belle.
(…)»

«A rata transmudada em rapariga

Do bico d’um Morcego
Veio ao chão uma Rata:
Eu não a erguera; erguera-a bem um Brâmene
Cada país, cada uso. Achou-se a Rata
Alquebrada do tombo.
De semelhante Próximo
Cuidamos pouco nós. Irmãos os julga
A Brâmene Nação, encasquetada,
Que a alma d’um Rei, que morre,
Num Oução se embetesga,
Ou noutro bicho, qual lho alvitra a sorte.
É artigo da sua Lei. Colheu Pitágoras
Esse mistério, entre eles.
Firme, em tão firme base,
Creo o Brâmene ser muito acertado
Pedir a um feiticeiro, que a alojasse,
No mesmo corpo, a Rata,
Que outrora a hospedara.
Fez dela o Feiticeiro, uma Moçoila,
De quinze anos, e tal, e tão gamenha,
Que, por ela, tentara
Mais de Príamo o Filho,
Que tentou pela Grega Formusura,
O Brâmene pasmou de estranho facto,
E disse ao lindo objecto:
«A bel-prazer escolhe;
Que ser teu esposo cada qual cobiça.
− Nesse caso (disse ela) dou-me esposa
Ao que, entre esses Amantes,
Mais possante se ostente.
«Oh Sol (bradou ajoelhado o Brâmene)
Serás meu genro.»

Sol.

«Não que o Nevoeiro,
Meu brilho encapotando,
Mais que eu é poderoso:
Que o tomes te aconselho.» – Ao Nevoeiro,
Volante, diz o Brâmene: «Nasceste
Para haver-me por sogro?»
«Não, disse o Nevoeiro,
Que o Vento, quando quer, me dá corridas (…)»

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Fábula de La Fontaine e tradução de Filinto Elysio (excertos)